Resilência Paroquial
Por: Côn. Edson Oriolo (Cura da Catedral Metropolitana de Pouso Alegre)
A resiliência entrou em minha vida nestes últimos anos por dois motivos: primeiro, a minha terceira transferência. Depois de 10 anos trabalhando numa paróquia fui designado a exercer o meu apostolado em outra com inúmeros desafios e problemas. O segundo motivo que me fez pensar em resiliência foi o estudo do documento de Aparecida, quando chama a atenção para a mudança de mentalidade, atitudes, comportamentos e de estruturas. O documento propõe a passagem de uma pastoral centrada na conservação e manutenção do passado para uma Igreja discípula missionária, em permanente estado de missão.
O termo “resiliência” provém do latim, do verbo resiline, que significa: voltar para trás, voltar às fontes ou voltar ao estado natural, após sofrer os embates e a pressão de determinada situação.
A noção de resiliência foi primeiramente utilizada pela física e pela engenharia. Um dos precursores dessa utilização foi Thomas Yong que, em 1807, usou a palavra para dar a noção de flexibilidade, elasticidade e ajuste às tensões ao descrever seu conceito de módulo de elasticidade.
A partir daí, o conceito de resiliência ultrapassou as fronteiras da física e, ganhando maiores proporções, passou a ser utilizado também nos campos da educação, da sociologia, da física, da psicologia, da medicina, da administração e, por que não, na vida paroquial.
Assim sendo, o entendimento do conceito, do significado e da metodologia da resiliência pode ajudar as paróquias a alcançarem melhores resultados na evangelização.
A missão das paróquias, na vida do mundo contemporâneo, é vivenciar o mandato missionário de Jesus Cristo de anunciar a boa-nova a todos os povos (cf. AA,10)
Para evangelizar, isto é, para anunciar o projeto de Deus, além da exigência de manter a visão e a audição atentas aos sinais e às oportunidades da realidade para nela encanar as sementes do Verbo, é necessária resiliência, isto é, certa elasticidade.
Hoje em dia, em nossas paróquias, muitas pessoas se apegam ao antigo porque não enxergam nenhuma razão verdadeira para a mudança ou nenhuma consequência favorável para si mesmas, agindo da nova forma. Preocupam-se mais em apagar o incêndio do que em evitá-lo.
Na vida paroquial, este apego ao antigo, ao passado, à conservação, à manutenção leva-nos a preocupações secundarias. Preocupamo-nos com os 20% dos paroquianos importantes que dão suporte na ação pastoral e esquecemos os outros que têm talentos relevantes e que estão abandonados pela ação pastoral e não participam das paróquias.
Precisamos de mudanças, de flexibilidade e elasticidade para conquistar fiéis sem perder os paradigmas perenes da missão da Igreja. Em toda a história da Igreja foi necessário promover mudanças e fazer ajustes, estar presente e encontrar alternativas. As mudanças desestruturam o status quo, mexem com nossas acomodações e geram certa confusão. Quando nos defrontamos com mudanças e com um fenômeno diferente, precisamos tomar decisões e agir de modo novo e isto nos causa medo, medo do novo.
Na condução de uma paróquia, além de compreender a mudança, avaliar riscos e benefícios, e criar um mapa de operacionalização da mudança, é preciso conseguir alinhar uma nova estratégia que atinja as pessoas. O que se pretende é que os batizados sejam participantes da vida paroquial e agentes de evangelização.
Para saber administrar bem as mudanças, nós, párocos, temos que assumir a resiliência e sermos resilientes.
Assumir a resiliência é saber responder de forma mais consistente aos desafios e às dificuldades do cotidiano paroquial e reagir com flexibilidade, criatividade e capacidade de recuperação. É ter uma atitude otimista, positiva e perseverante na ação evangelizadora paroquial para manter um equilíbrio dinâmico durante e após os embates, na certeza de que a ação evangelizadora é assistida pela ação do Espírito de Deus.
Ser resiliente é não se acomodar à situação e saber suportar pressões, desafios de todos os lados. É saber vivenciar e crescer num ambiente com grandes chances de sucesso. Quem é resiliente está preparado para elaborar estratégias, alcançar os objetivos e cumprir a missão paroquial (cf. EA, 41; DAp 173).
Ser resilente é estar afinado e ser congruente nas respostas e nas ações diante de qualquer tipo de mudança. É estar antenado para perceber os acontecimentos e os sinais de mudança na vida paroquial.
Finalmente, um pároco resiliente amadurece suas capacidades e características positivas, cresce e aprende com o mútuo apoio dos que estão ao seu lado neste mundo em constantes transformações.
