Os Grandes

benedito_32Por: Benedito Franco

* Morando no Rio, tinha bastante oportunidade de ver os grandes do mundo passando por lá.

Residia no bairro do Catete, Rua Santo Amaro, em frente à Beneficência Portuguesa. Bastava descer um pouco e estava nos jardins ao lado do Monumento dos Pracinhas. Logo após a esquina da rua, está a Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro. Os grandes passavam ou iam até lá.

Em frente à Cúria havia uma banca de jornal, onde, às 5h 30m recebia um sorriso, um cumprimento e, às vezes, algumas palavras do extraordinário Don Helder Câmara - como eu, comprava o jornal constantemente.

Eisenhower vi bem de perto, não mais que cinco metros, recebendo um aceno de mão do general-presidente dos Estados Unidos.

Para a visita, numerosos seguranças dos Estados Unidos e uma banda de música de uma de suas forças armadas.

Hoje o aeroporto internacional do Rio de Janeiro é o Galeão. Na época usava-se mais o Aeroporto Santos Dumont, no centro, em frente ao Pão de Açúcar.

A banda dos soldados americanos, partindo do Rio em um avião de mais de cem passageiros, assim que decolou, bateu de frente no Pão de Açúcar, falecendo todos.

         * No jardim, ao lado da Cinelândia e bem perto de casa, havia um restaurante de estudantes, o Calabouço, onde conheci e dei-lhe um como vai, muito prazer, apertando-lhe a mão, o recém-ditador de Cuba, Fidel Castro.

Um amigo me falou que não deveria mais lavar as mãos - fã do Fidel.

          * Para ver o De Gaulle, Presidente da França, fiquei bem perto do Monumento dos Pracinhas, Rio de Janeiro, encostado ao cordão de isolamento. O Presidente, quebrando o protocolo, cumprimentou a muitos, inclusive cheguei a receber um aperto de mão do enorme general - enorme na altura e no nariz.

Nessa visita falou que o Brasil não é um país sério! Tinha e tem razão! Até hoje nada mudou, aliás, mudou sim, mas para pior – acabou-se o político que ama a Pátria.

Na época, a segurança quase nenhuma, aproximar-se desse pessoal não era difícil - o povo ainda gostava dos políticos.