Vereadores afastados retornam para os cargos na Câmara

Dois dos três vereadores de Borda da Mata, no Sul de Minas, que foram cassados pelo Tribunal Regional Eleitoral voltaram aos cargos na noite de segunda-feira (17) na Câmara Municipal. Benedito Delfino de Mira e Vivalde Raimundo da Silva conseguiram uma liminar na semana passada e participaram da sessão desta segunda-feira. Já a cadeira de Luiz Carlos Pinheiro ficou vazia. Ele também conseguiu o recurso, mas não retornou à função alegando problemas pessoais.

Os três vereadores tiveram os mandatos cassados há pouco mais de 10 dias. Segundo investigações do Ministério Público, em 2008, os três vereadores, quatro suplentes e também o ex-prefeito, Benedito Cobra Filho, que tentava a reeleição, teriam abastecido veículos usados na campanha eleitoral com dinheiro da prefeitura. Segundo a promotora Maria Regina Capelli, além deles, na época, pelo menos outros 13 candidatos teriam se beneficiado do esquema, que desviou cerca de R$ 30 mil. Nas notas fiscais apresentadas, estavam as letras "P" e "M", que seriam a sigla de "Prefeitura Municipal".

O Ministério Público apresentou para a reportagem da EPTV alguns documentos que fazem parte da ação. Neles é possível ver as notas de empenho da prefeitura. Em 2007, os gastos com combustíveis foram de pouco mais de R$ 89 mil. Já em 2008, ano de eleição, o valor passou para mais de R$ 123 mil, um aumento de quase 40%. Só no mês de setembro de 2008, um mês antes das eleições, os gastos foram de quase R$ 70 mil. Ainda segundo o MP, há problemas também com as notas fiscais apresentadas como parte da prestação de contas da campanha. Segundo a promotora Maria Regina Capelli, que cuida do caso, o número de série indicaria falsidade ideológica. O Ministério Público vai recorrer da decisão que possibilitou aos vereadores retornarem aos cargos.

Mesmo com a liminar, os vereadores investigados ainda aguardam o julgamento do recurso no Tribunal Regional Eleitoral. Os suplentes, Clayton Serafim da Silva, Antônio Claret Cardoso, os dois do PMDB, Jorge Pereira Filho e Paulo Dias da Silva, do PTB, também são suspeitos de serem beneficiados pelas mesmas irregularidades e não podem assumir cargos na Câmara.

Por telefone, o ex-prefeito Benedito Cobra Filho disse que o posto de combustíveis fez doações à campanha eleitoral. Segundo ele, a sigla "PM" significaria "Pagamento Mensal" e não "Prefeitura Municipal" como alega o MP.

Informações da EPTV