Importância da atividade física para mulheres idosas
Chegar aos sessenta anos, já não tem mais o significado de ser uma velha ou uma incapaz. Foi-se a época que ficar velho era esperar pelo último suspiro ou, após a aposentadoria, “vestir o pijama”, não fazer mais nada e esperar a morte chegar.
Nos dias de hoje, a pessoa com mais de sessenta anos faz tudo aquilo que o jovem faz, mas dentro do seu tempo e da sua capacidade. Como ainda não existe a pílula da vida eterna, devemos, sim, desde cedo, começar a nos preparar para esta etapa da vida.
Sabemos que nosso corpo vai mudar, entretanto, poderemos fazer tudo isso sem a necessidade de um parente ou cuidador para nos auxiliar em nossas atividades básicas, como tomar banho ou ajudar para nos levantarmos de uma cadeira.
Envelhecer sem doenças, de forma fisiológica, tem um nome: senescência.
Em termos de qualidade de vida, as mulheres se saem melhor. Enquanto elas procuram desenvolver um estilo de vida mais saudável, os homens tem dificuldade em aceitar ajuda quando necessário, deprimem-se com mais facilidade e sofre quando não se vê mais como o provedor e o responsável pela família.
Todos nós sabemos que o envelhecimento chega para todos e que traz uma série de conseqüências.
A primeira delas é a diminuição da atividade física, fenômeno que se inicia na adolescência (entre 13 e 18 anos) e segue durante o decorrer dos anos, tendo como causas fatores sociais, ambientais e psíquicos.
A segunda conseqüência é a diminuição gradativa do fortalecimento dos músculos e da perda da flexibilidade corporal. Isto se traduz devido a um aumento na prevalência do número de pessoas sedentárias com o avançar da idade, ou seja, a prática de uma atividade física diminui com a idade.
Já que não podemos deter o processo do envelhecimento, podemos minimizar suas conseqüências apenas com a prática de alguma física, visto que muitas das doenças da terceira idade poderiam ser evitadas com sua prática.
Efeitos benéficos da atividade física no idoso
A literatura é farta em mostrar que a prática de uma atividade física, feita de forma regular, traz inúmeros benefícios, independentemente de fatores como idade e sexo.
1 – Efeitos antropométricos
a – controle ou diminuição da gordura corporal;
b – manutenção ou incremento da massa muscular, força muscular e densidade óssea;
c – fortalecimento do tecido conjuntivo;
d – melhora na flexibilidade.
2 – Efeitos metabólicos
a – aumento do volume do sangue circulante, da resistência física
(em 10 a 30 %) e da ventilação pulmonar;
b – diminuição da freqüência cardíaca em repouso e no trabalho submáximo e da pressão arterial;
c – melhora nos níveis de colesterol HDL e diminuição nos níveis de triglicérides, colesterol total e LDL, nos níveis de glicose sanguínea, contribuindo na prevenção e controle do diabetes; nos parâmetros do sistema imunológico, sendo associado a menor risco de alguns tipos de câncer (cólon, mama e útero);
d – diminuição de marcadores antiinflamatórios associados às doenças crônicas não transmissíveis;
e – diminuição do risco de doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral, hipertensão, diabetes tipo 2, osteoporose e obesidade.
3 – Efeitos cognitivos e psicossociais
a – melhora no autoconceito, auto-estima, imagem corporal, estado de humor, tensão muscular e insônia;
b – prevenção ou retardo do declínio de funções cognitivas (memória, atenção e fluência verbal);
c – diminuição do risco de depressão;
d – diminuição do estresse, ansiedade e depressão, consumo de medicamentos e incremento na socialização;
4 – Efeito nas quedas
a – redução do risco de quedas e lesões delas decorrentes;
b – aumento da força muscular dos membros inferiores e coluna vertebral;
c – melhora do tempo de reação, sinergia motora das reações posturais, velocidade do andar, mobilidade e flexibilidade.
5 – Efeito terapêutico
a – efeito no tratamento de doenças coronariana, hipertensão, enfermidade vascular periférica, diabetes tipo 2, obesidade, colesterol elevado, osteoartrite e doença pulmonar obstrutiva crônica;
b – efetivo no manejo de desordens de ansiedade, depressão, demência, dor, insuficiência cardíaca congestiva, síncope, acidente vascular cerebral, profilaxia do tromboembolismo venoso, dor lombar e constipação.
Assim, “as prioridades na preservação da atividade física durante o processo de envelhecimento incluem a realização de exercícios com ou sem peso (dependendo de cada paciente) e de equilíbrio (força muscular e evitar quedas), atividades aeróbicas (estimular o sistema cardio-respiratório), movimentos corporais totais (flexibilidade e mobilidade articular) e mudanças para adoção de um estilo de vida ativo.
Para mais, os benefícios de uma atividade física regular ainda incluem: a melhoria da postura, promover o bem-estar, ficar mais forte, manter-se em forma, sentir prazer e sentir-se realizado.
Portanto, a prática de uma atividade física, seguramente, é envelhecer com mais saúde, bem-estar e qualidade de vida.
Por: Dra. Renata Souza Camargo (Fisioterapia Clínica)
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