Combate à obesidade chega a 1 milhão de alunos mineiros na volta às aulas

Um milhão de estudantes de 5 a 19 anos, de 4.250 escolas públicas de Minas Gerais, receberão acompanhamento médico como meio de prevenção da obesidade. Neste ano letivo, o programa Saúde da Escola, do governo federal, focará seus esforços no controle do peso de crianças e jovens. Com 305 municípios inscritos, o Estado é o que mais aderiu à iniciativa, que é executada nos moldes do Programa Saúde da Família (PSF).

Em Minas, 1.414 equipes formadas por médico, enfermeiro, dois técnicos de enfermagem e quatro agentes comunitários irão às escolas para fazer medições de peso e altura dos alunos.
Eles serão submetidos também a exames de colesterol e de triglicérides para avaliar a propensão ao desenvolvimento de doenças. Quem estiver com os resultados alterados passará a ser acompanhado pela equipe médica. Alunos, pais e professores também receberão orientações, em palestras e debates, sobre nutrição.
"Vamos garantir que todas as crianças e jovens sejam avaliados. A questão da obesidade infantil é uma bomba que precisa ser desarmada. É por isso que temos que trabalhar na prevenção", afirma o secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Helvécio Magalhães.
Para o desenvolvimento do projeto, as cidades mineiras receberão R$ 11 milhões. Segundo o Ministério da Saúde, 70% do valor será encaminhado aos municípios no início deste ano, e o restante, em dezembro, quando as prefeituras prestarem contas dos trabalhos realizados.
Segundo a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), realizada entre 2008 e 2009 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma em cada três crianças com idades entre 5 e 9 anos está com peso acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde. O índice de jovens de 10 a 19 anos com excesso de peso passou de 3,7%, em 1970, para 21,7%, em 2009.
Para especialistas em nutrição, os dados são preocupantes, já que crianças acima do peso tendem a desenvolver doenças crônicas, como o diabetes e as cardíacas. A diretora-secretária do Conselho Regional de Nutricionistas (CRN/MG), Joyce Batista, afirma que o projeto, se bem-executado, pode refletir, futuramente, na questão da saúde pública do país. "Adultos saudáveis representam menos gastos para o governo", ressalta.
Segundo Helvécio Magalhães, a meta é, em até quatro anos, reduzir os índices de obesidade em jovens em 5% e estabilizar o número de adultos obesos em todo o país. Em março, está prevista uma semana de mobilização com atividades de conscientização em todo o país.


Da redação / Foto: Leo Fontes